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CURSO DE TEATRO VOLTA NO PRÓXIMO SÁBADO!

Cerimônia de Entrega Do Prêmio Arte e Inclusão

É com uma ENORME GRATIDÃO e EMOÇÃO que recebemos esse Prêmio em Primeiro Lugar na categoria “Arte Inclusiva” do evento Virada Inclusiva – Participação Plena.

Nossa jornada é dura mais seguimos fortes na certeza que TUDO isso Vale muito Apena. “Um Guerreiro não Desiste do que Ama, ele Encontra Amor naquilo que Ele Faz.” (PODER ALÉM DA VIDA)

 

Cia Teatral Olhos de Dentro Receberá o “Prêmio Arte e Inclusão”

Uma importante conquista na história da Cia Teatral Olhos de Dentro. Estaremos na premiação acontecerá no dia 24 de novembro no Memorial da Inclusão, em São Paulo, contemplando os cinco vencedores nas categorias dança, música e teatro com o “I Prêmio Arte e Inclusão”.

O prêmio tem o objetivo de estimular artistas, profissionais e amadores com deficiência na elaboração e divulgação de seus projetos artísticos, além de contribuir para a democratização e ocupação dos espaços públicos por pessoas com deficiência.

Veja a lista geral dos ganhadores:

Na categoria dança, os vencedores foram “Asa de Borboleta Performance Art”, “Cia Circodança Suzie Bianchi”, “Dança Sem Fronteiras”, “Didanda – Grupo Experimental de Dança Daniella Forchetti” e “Dual Cena – contemporânea”. Na música, se destacaram “Bloco Praxede Sem S”, “Douglas Jericó”, “Dudé e A Máfia”, “O Jardineiro e a Bella Flor” e “Renato José”. No teatro, “Cia Livre Acesso”, “Cia. Olhos de Dentro”, “Edgar Jacques”, “Paulo Fabião” e “Allan Calisto Pigmentar Companhia”.

Todos receberão incentivo para se apresentarem na 9ª Virada Inclusiva que acontecerá nos dias 1, 2 e 3 de dezembro .A seleção dos vencedores foi realizada por uma comissão composta por três jurados para cada expressão artística.

 

Serviço

Cerimônia do I Prêmio Arte e Inclusão

Data: 24 de novembro

Horário: das 14h às 18h

Local: Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência

Endereço: Av. Auro Soares de Moura Andrade, 564, portão 10, Barra Funda, São Paulo

 

 

Estreia de Cidade Cheia de Graça é Destaque no Site Negócios Em Foco!

Blog Deficiente Ciente: Grupo Teatral Inclusivo Reestreia Sua Peça De Maior Sucesso em São Paulo

Matéria publicada no blog Deficiente Ciente, o mais influente em assuntos de inclusão no país, sobre a estreia da segunda remontagem da peça CIDADE CHEIA DE GRAÇA II no próximo domingo!

Confira a matéria clicando aqui

 

 

Blog Inclusive: Cidade Cheia De Graças II

Estadão: No palco da inclusão

Companhia de teatro ‘Olhos de Dentro’ atua há 16 anos na formação artística de pessoas com deficiência e na produção de espetáculos inclusivos. Grupo apresenta remontagem de ‘Cidade Cheia de Graça’, sua peça mais famosa.

Luiz Alexandre Souza Ventura – Coluna Viver Sem Limites do Estadão – 11 Novembro 2018 | 12h31

IMAGEM 01: Companhia de teatro ‘Olhos de Dentro’ atua há 16 anos na formação artística de pessoas com deficiência e na produção de espetáculos inclusivos. Grupo apresenta remontagem de ‘Cidade Cheia de Graça’, sua peça mais famosa. Descrição #pracegover: Grupo de atores e atrizes com e sem deficiência está reunido sobre um tablado forrado em carpete de cor preta. Todos vestem roupas prestas, estão sorrindo e olhando para a câmera: Crédito: Divulgação.


Encontrar apoio ao teatro no Brasil é uma tarefa contínua e que exige perseverança. Mesmo para atores consagrados, a oferta de patrocínio tem barreiras. No que diz respeito à inclusão, esses obstáculos são ainda maiores.

É nessa realidade que atua há 16 anos a ‘Cia Teatral Olhos de Dentro – Um Exercício de Inclusão’, formando pessoas com deficiência no mundo das artes cênicas e montando espetáculos que lançam luz à inclusão, reunindo no palco atores com e sem deficiência.

“Nosso trabalho depende de ‘vaquinhas’ feitas pelos próprios participantes da companhia para montagem dos espetáculos, o que dificulta produção e divulgação. Nosso único apoio é do espaço físico, no Teatro Ruth Escobar, concedido para nossas aulas pela Associação de Produtores de Espetáculos Teatrais da Cidade de São Paulo (APETESP)“, explica a psicopedagoga Nina Macin, diretora e coordenadora do grupo.

A companhia conseguiu levantar recursos para remontar sua peça mais famosa. ‘Cidade Cheia de Graça II’ terá sessões especiais em novembro e dezembro, sempre aos domingos, na Sala Miriam Muniz do Teatro Ruth Escobar, que fica Rua dos Ingleses, nº 209, na Bela Vista, em São Paulo.

Montada pela primeira vez em 2013, a peça tem linguagem despojada e divertida, e leva à cena criticas sociais e políticas. “Recebemos muitos pedidos para remontar o espetáculo. Aproveitando o atual cenário politico e social, percebemos que era a hora”, diz a diretora.

“Apesar da participação de alguns atores da primeira montagem, o processo de construção começou do zero, porque a maioria é estreante. Além disso, temos alteração no espaço, figurinos e músicas. Na verdade, podemos chamar de uma releitura. Foi um processo muito trabalhoso”, comenta Nina Macin.

Desde sua criação, a Cia Olhos de Dentro já montou 16 espetáculos, assistidos por mais de 40 mil pessoas em teatros, instituições, ongs, empresas e universidades. Tem 640 alunos formados. Muitos atuam em espetáculos profissionais, no cinema e em outros trabalhos relacionados à arte.

SERVIÇO:
Espetáculo: Cidade Cheia de Graça II
Montagem: Cia Teatral Olhos de Dentro
Datas:
– 25 de novembro
– 2, 9 e 16 de dezembro
Horário: 11hs
Ingresso: R$ 20,00
Local: Teatro Ruth Escobar – Sala Miriam Muniz
Endereço: Rua dos Ingleses, nº 209, Bela Vista, São Paulo/SP
Informações: (11) 3289-2358
http://ciateatralolhosdedentro.com.br/

Nina Mancin Fará Palestra “A Inclusão Através Da Arte” Em Novembro

Revista Incluir: “Sem Limites Para Atuar!

Recentemente a CIA TEATRAL OLHOS DE DENTRO foi destaque de uma longa reportagem de Revista Incluir, uma das mais importante publicação sobre pessoas com deficiência no Brasil.

NINA MANCIN: O PIONEIRISMO DO TEATRO COMO INCLUSÃO SOCIAL NO BRASIL

“Ainda sou uma sonhadora, mas sempre com os pés no chão!” Essa frase é da atriz, psicopedagoga, diretora, professora de teatro, produtora e arte educadora Nina Mancin, uma mulher de muita garra que vem escrevendo o seu nome na história do teatro brasileiro. Tanto por sua carreira individual, quanto pelo seu pioneirismo a frente da CIA TEATRAL OLHOS DE DENTRO, promovendo a formação e inclusão teatral pessoas com deficiência física, visual, síndrome de down, paralisia cerebral e autistas, juntamente com pessoas sem deficiência, pessoas idosas, crianças. E, por colocar todos juntos atuando no mesmo palco, posso afirmar com segurança que essa é a primeira Cia realmente inclusiva no sentido mais puro da palavra!

Nesta entrevista, Nina Mancin relembra suas origens, formações e atuações no teatro, televisão e cinema, revelando os grandes desafios e alegrias em usar as artes cênicas como inclusão social no Brasil, como ela destaca: “O mais difícil não é lidar com a pessoa com deficiência como se pensa, o mais difícil é levar esse projeto, essa ideia para as pessoas. Essa é minha luta até os dias de hoje.”

1 –  Nina, conte-nos um pouco da sua história pessoal, suas origens.

Sou de uma família humilde, comecei a trabalhar aos 9 anos, limpava a casa de uma professora e cuidava do neném. Aos 14anos já trabalha registrada numa empresa na avenida Ipiranga, pegava ônibus lotado na Zona Leste às 05:30 da manhã, entrava às 07:00, depois direto para escola, apesar das dificuldades nunca parei com os estudos. Aos 18 anos fui morar sozinha no Centro da Cidade para facilitar e conciliar melhor o trabalho e os estudos, essa foi uma das experiências mais importantes para meu crescimento.

2 – O que levou você se interessar pelo mundo das artes cênicas? E como vem sendo a sua construção enquanto atriz sua formação, trabalhos realizados no teatro, televisão, cinema?

Nina Mancin na peça “Assalto Alto””

Como eu disse minhas origens são bem simples, não existia essa possibilidade “ser atriz”, mas eu sempre tive interesse por teatro, brincava de fazer teatrinho no quintal. Isso foi ficando adormecido, trabalho, estudo, responsabilidades…Eu era muito tímida, tinha medo do mundo, imagina ser atriz! Isto estaria fora da minha realidade. Um dia fui a um recital de poesias e fiquei encantada com o ator que as recitava. No final do evento, estavam distribuindo folhetos do curso de teatro que ele ministrava, pra encurtar tomei coragem e me matriculei. Esse ator era nada mais nada menos que Wolney de Assis, um mestre do teatro brasileiro. Estudei durante 8 anos. Um dia ele olhou pra mim e disse sorrindo…”Eu não aguento mais você aqui, você está pronta”. E mais uma vez o medo tomou conta de mim, eu não acredita que estava pronta, ele com sua sabedoria de mestre me fez dar o primeiro passo e segui meu caminho.

Meu primeiro trabalho profissional foi com um grupo de teatro de bonecos com a técnica bunraku. Eu não sabia manipular bonecos, então passava horas ensaiando. Foi um trabalho lindo, acabei me destacando com o meu personagem dentro do espetáculo, concorri ao Prêmio Coca Cola de Teatro Infantil, como melhor atriz. Depois disso participei de outros infantis e nunca mais parei de trabalhar com teatro, tanto adulto como infantil. A maioria eu produzi. Mais tarde ganhei prêmio de melhor atriz com o Monólogo “A Prostituta no Manicômio” de Dario Fo. Foram muitos trabalhos no teatro, quero ressaltar um dos mais significativos e profundos pra mim, foi interpretar a Vida de Helen Keller, uma personagem cega, surda e muda, baseado em fatos reais em uma Cia Internacional de Teatro um presente divino, apresentamos no Brasil e Europa um espetáculo extraordinário, inesquecível.

Participei de vários trabalhos na TV como diretora, produtora e atriz e algumas participações em curta e longa metragem.

3 – E quando nasce a professora e diretora teatral?

Eu sempre tive uma boa intuição e criatividade, desde que estudava artes cênicas era eu sempre que dirigia as cenas com os colegas, isso pra mim era fácil, a imagem vinha e eu resolvia as cenas.  Na época me formei em Pedagogia e isso me abriu portas para aulas de teatro em escolas infantis. Dirigia espetáculos com 100 crianças, nada fácil…rs Em 2002 comecei a dar aulas para pessoas com deficiência, sou voluntária da Cia Teatral Olhos de Dentro há 16 anos. Dirijo um Grupo de Teatro para Terceira Idade e outro Grupo de Teatro para Pessoas com Deficiência na Universidade Metodista de SP.

4 – Dando um pulo em seu extenso currículo, há 16 anos você assumiu o grupo teatral Olhos de Dentro. Hoje se fala muito em inclusão das pessoas com deficiência. Mas naquela época, como foi iniciar um projeto pioneiro como esse?

Atual formação da CIA TEATRAL OLHOS DE DENTRO

Não foi nada fácil, para mim era tudo novo e claro não tinha nenhuma experiência. Confesso que tive medo, mas foi um encontro mágico, acredito que cada um de nós nascemos com uma missão é naquele momento havia encontrado a minha!

O objetivo era a inclusão social através da arte. Então comecei com pessoas com deficiência visual, física e pessoas sem deficiência, não tinha nenhuma receita pronta, aprendi muito naqueles primeiros anos. O mais difícil não é lidar com a pessoa com deficiência como se pensa, o mais difícil é levar esse projeto essa ideia para as pessoas essa é minha luta até os dias de hoje.

Ao longo dos anos fui recebendo outras pessoas com diferentes deficiências, hoje nosso grupo é formado por pessoas com deficiência visual, física, síndrome de down, síndrome do X frágil, surdos, deficiências múltiplas, paralisia cerebral e pessoas sem nenhuma deficiência, porém com baixo poder aquisitivo.

5 – Sem dúvidas, você é uma multiprofissional também formada em pedagogia e pós-graduada em psicopedagogia. Essa visão didática veio a somar no seu trabalho enquanto professora teatral?

Com certeza, quando optei pelo curso de pedagogia eu já tinha a intenção de trabalhar na área da arte e educação, e isso ajudou muito no começo. Com o tempo e já trabalhando com pessoas deficientes senti a necessidade de adquiri mais conhecimentos e resolvi fazer a pós em psicopedagogia que só veio a somar e contribuir ao meu trabalho de inclusão.

6 – Umas das marcas da Cia Teatral Olhos de Dentro é o seu dinamismo. Mesmo sem quase nenhum apoio financeiro, foram até aqui realizadas 16 montagens, mais de 40 mil espectadores, 650 passaram pelo curso gratuito, dentre outros aspectos positivos. A que você atribui todo esse dinamismo?

Apesar de não ter nenhum apoio financeiro eu faço o que gosto, como eu disse é minha missão ajudar essas pessoas dar essa oportunidade que talvez nunca teriam, atribuo a tudo isso como UM ATO DE AMOR!

7 – Sua carreira profissional conta com muitas peças, participações em televisão e cinema, publicidade. Um de seus papéis marcantes foi interpretar Helen Kelen no teatro em 2014. Isso até a levou em uma turnê pela Europa, como você já citou. Relate-nos um pouco dessa experiência.

Interpretando Hellen Keller

Já interpretei muitos personagens maravilhosos sem dúvida, mas Interpretar Helen Keller, foi a mais gratificante experiência que já tive no teatro, essa oportunidade veio exatamente pela minha experiência com pessoas com deficiência. Poder interpretar uma personagem baseada na história real cega, surda e muda com uma Cia internacional de Teatro e poder fazer uma turnê internacional foi de longe uma experiência única!

8 – Atriz, psicopedagoga, diretora, professora de teatro, produtora e arte educadora. Hoje quem é Nina Mancin, suas principais linhas de atuações e quais aspirações você espera tanto para a Cia Teatral Olhos de Dentro, quanto para a sua carreira profissional?

Ainda sou uma sonhadora, mas sempre com os pés no chão. Acredito que a inclusão de pessoas com deficiência através da arte possa ser mais respeitada e valorizada.

Quanto a Cia Teatral Olhos de Dentro, tenho o sonho de que, possamos atingir uma melhor visibilidade, tanto no meio teatral como na sociedade em geral, mesmo hoje se falando muito em inclusão, ainda existe um preconceito muito grande.

Eu amo ser atriz, estar no palco atuando me completa, queria poder estar sempre em cartaz atuando, tenho projetos, mas não tenho capital, pois é… a carreira de atriz sempre foi muito instável, sigo na luta, procurando ocupar meu espaço com dignidade, amor, respeito e principalmente persistência.

 

Geraldo Ferreira: “Não se limite mais do que a tua limitação te limita!”

“Eu não estou aqui para facilitar as vida de ninguém!” Essa é uma emblemática frase do ator, diretor e preparador corporal Geraldo Ferreira. Prestes a completar 30 anos de carreira, nesta entrevista ele relembra parte de sua história pessoal, seus grandes momentos nas artes cênicas, muitos até bem humorados.

Ferreira fala de sua experiência na Cia Teatral Olhos de Dentro, grupo pioneiro em inclusão de pessoas com deficiência no mundo das artes. E, após essa trajetória vitoriosa, perguntado sobre que conselho ele daria a quem está se iniciando no mundo das artes cênicas, Geraldo Pereira responde com segurança: Que tenha seriedade, responsabilidade, comprometimento e, principalmente, respeito pela profissão. Respeito com o diretor, com os colegas de elenco, com o público, pois dependemos e precisamos uns dos outros“.

1 – Conte um pouco de sua história pessoal, suas origens?

Eu, Geraldo Ferreira, o filho caçula dos cinco que tiveram Da. Dionísio e o Sr Brás. Seu Brás, a quem eu vim conhecer/re-conhecer  depois de 12 anos.  Minha mãe separou do meu pai eu era muito pequeno. Separou, pegou a mim e foi pra cidade grande, deixando os outros quatro irmãos para trás.

Nasci em Minas Gerais, Vinte Alqueires. Uma cidade tão pequena que não pude trazê-la nos documentos, pois não tinha cartório (rsrsrs). Assim tive que ser registrado na cidade mais próxima: Porto Firme. Uma vez na cidade grande, fui abandonado, largado, cuidado, quase adotado por outras pessoas e famílias.

Aliás, eu preciso falar de uma família: Seu Aluísio, Da. Teresinha e seus seis filhos. Pessoas que, por mais que eu agradeça nunca será o suficiente. Toda minha formação, em todos os sentidos, eu devo a eles. Foi ela, Da. Teresinha, quem correu comigo, criança, para a Santa Casa de Misericórdia, por incontáveis vezes, onde fiquei internado por onze meses para que fossem  feitas as correções possíveis na anomalia do meu braço direito que era mais grave do que aparece hoje. Quase fui adotado, de papel passado, por eles. De coração eu sei que fui eu sou até hoje. Mas isso é uma outra história.

Como a adoção fracassou, tive que voltar para minha mãe. Mas não durou muito  (rsrs).  Fui embora de casa, depois de uma discussão feia com ela, com 13 pra 14 anos, com a promessa de nunca mais voltar. A vida foi dura, me bateu bastante, mas eu aguentei e resistir.

Como diz Lulu Santos (que parece ter ouvido as palavras de minha mãe quando sai de casa) na canção Minha Vida:  “…Você vai se arrepender, Pois o mundo lá fora, num segundo te devora. Dito e feito mas eu não dei o braço a torcer”. E nunca mais voltei.

Estudei, casei, formei-me técnico em contabilidade, separei, divorciei, fiz faculdade de letras até o quinto semestre, faltou grana pra fazer o último semestre e concluir.  Hoje, dentro do meu conceito de felicidade, eu sou feliz.

2 – O que lhe levou às artes cênicas e como foi o começo, sua formação?

Quando criança, eu admirava os atores e atrizes da televisão, os cantores e os artistas de todas as áreas. Eu brincava achando que era Sérgio Cardoso, Paulo Autran, Grande Otelo, Tarcisio Meira (meu ídolo maior desde Irmãos Coragem) e eu queria ser igual a eles (rsrs). Isso me levou para artes cênicas. Até os 23 anos, eu já tinha passado, discretamente, pelo mundo das artes. Já tinha desenhado, pintado umas telas, escrito uma porção do poemas… Mas ainda faltava atuar… Sim, porque não vou considerar a  peça que, modestamente, escrevi, digeri e atuei na época do colégio (rsrs).

Em 1989, depois de muito relutar, diante da insistência da minha esposa na época, eu resolvi fazer um curso de teatro gratuito no Centro Cultural Tendal da Lapa. Na terceira semana de curso, notamos a presença de uma pessoa na sala. Ao final da aula soubemos que era um diretor de teatro, Xico Liberato, que estava ali para selecionar alguns atores para fazer um teste na sua companhia. Eu fui um dos escolhidos. As primeiras palavras dele: “O ator não pode ter medo do ridículo. No palco você pode ser o que quiser”.

Fui, fiz o teste, passei. Fiquei na Cia Star Vagante por seis anos, onde pude ser advogado, político, caipira, deus, cânone, cafajeste, rei, bruxo…  E tantos foram os palcos por onde passei até então.

3 – Desses tantos palcos que você já pisou,  quais os momentos mais marcantes que destacaria tanto como ator quanto diretor?

Contracenando com a atriz Nina Mancin na peça “Assalto Alto”

Sem dúvida um dos momentos marcantes foi a minha estreia. A primeira vez a gente nunca esquece (kkkkk). A peça era “Maria do Ó”; texto e direção de Xico Liberato. No auditório da biblioteca Presidente Kennedy, em Santo Amaro. Eu fazia dois personagens na peça: um político (pra variar, corrupto) e um advogado a serviço do deputado.

Certa vez, numa das apresentações, eu quis diferenciar, ainda mais, um personagem do outro. E resolvi fazer a barba, à seco, entre uma cena e outra. Resultado: me cortei. Não parava de sangrar. E agora o que eu faço? Bem: entrei em cena reclamando do lugar onde a prostituta Maria morava e dizendo que os galhos e os espinhos haviam ferido o meu rosto.

A atriz que fazia  a prostituta ficou apavorada quando viu o sangue. O lado bom de tudo isso foi que a situação deu à cena um caráter mais realista (Kkkkk). Depois dessa minha “percepção de improvisação em cena”, eu vi que tinha jeito pra coisa. E lá se vão 29 anos.

Outro momento marcante, sem dúvida,  foi na apresentação de Édipo Rei, direção de Renato Borghi, no teatro Paulo Eiró em Santo Amaro. Seiscentos lugares e ainda tinha gente sentada no chão. Meu personagem: o bruxo Tirésias. Eu entrei com um figurino todo maltrapilho, com um cigarro pela metade, aceso, escondido entre os dedos; a mão trêmula para que não percebessem a fumaça. Houve uma longa conversa entre Édipo e Tirésias. De repente, no seu transe louco e de rezas de bruxo, eu me abaixei, escondi o rosto e dei uma puxada forte no cigarro, e apaguei a brasa no joelho; levantei e joguei  a fumaça em uma pomba que o Tirésias sempre trazia consigo. Só se ouviu aquele: ÓÓÓÓ… No final do espetáculo as pessoas vieram cumprimentar e queriam saber: DE ONDE VEIO AQUELA FUMAÇA?

A participação no X Festival Nacional de Monólogos em Franca – SP, foi outro grande momento de emoção. Longe de Santo Amaro, num lugar onde ninguém nos conhecia. Um desafio. O texto, Vozes Anoitecidas, de Mia Couto. Ao final do espetáculo público aplaudio de pé por mais de cinco minutos. Muitos elogios pela interpretação. Mas ganhamos apenas o prêmio de melhor texto. Os melhores prêmios ficaram para os grupos e os atores da cidade. O que, pela repercussão do espetáculo em jornais e emissoras de rádio da cidade, resultou numa grande decepção do diretor com o resultado. Assim ele  resolveu não mais increver o grupo em festivais.

Como diretor, ensaie dois espetáculos. Em um deles havia  uma personagem que  entrava em cena ferido de guerra, com dores, sem forças, etc e tal. Mas o ator não estava conseguindo me dar a emoção, a dor do ferimento, o peso do fim da vida que eu queria e que a situação pedia. Foi quando tive uma ideia: perguntei se ele tinha problemas de estômago, gastrite, úlcera, alguma doença na região abdominal? Ele disse que não. Então, sem que ele esperasse, dei-lhe um soco no estômago… Ele gemeu e se contorceu de dor. Eu gritei: É ISSO…. É ISSO  QUE EU QUERO!

Alguns atores da cia acharam genial; outros acharam radical. Foi então que, pelo sim, pelo não, e para preservar a integridade física dos atores (rsrs), resolvi só atuar e/ou ficar como assistente de direção. Era mais seguro para eles (Kkkk).

4 – Quando e como foi a sua chegada à Cia Teatral Olhos de Dentro, assumindo o papel de preparador corporal?

Eu cheguei na Olhos de Dentro em 2005, depois um período de reclusão. Tinha decidido pendurar as mascaras. Mas, como quem subiu num palco uma vez, é difícil sair dele. Resolvi procurar na Internet, grupos de teatro na minha região. Encontrei dois grupos e fui fazer a entrevista. Mas o diretor olhou de um jeito para o meu braço, que me deixou tão constrangido, fiquei tão mal, que nem fui conhecer o outro grupo.

Depois de um tempo, senti que estava faltando alguma coisa e voltei a pesquisar sobre cia de teatro. Foi quando encontrei a Olhos de Dentro. Curso de teatro pra pessoas especiais. Pensei, pode ser legal! Pelo menos ninguém vai me olhar como se eu fosse um extraterrestre. Kkkkk. Liguei para o número de telefone que estava no anuncio e uma pessoa super simpática disse que me esperaria no próximo encontro. Quando eu cheguei, o olhar, o sorriso, o abraço que eu recebi de Nina Mancin, fez com que eu me sentisse em casa. Fui recebido por todos da companhia com muito carinho.

Havia, na época, um exercício que era chamado de lição de casa, que eram apresentar uma cena na semana seguinte. E na primeira semana, eu apresentei Édipo Rei. Levei figurino, adereços cênicos. Alguns alunos, no começo, me acharam metido. Kkkk. Mas o que eu queria na verdade, eles perceberam isso, era estimulá-los, provocá-los.

Quanto ao papel de preparador corporal, eu sempre ouvi dos diretores, e concordo totalmente, que o instrumento de trabalho do ator são o corpo e a voz. E eu sempre fui muito cuidadoso com isso. Então, devagarinho, fui introduzindo essa prática de exercícios de alongamento. Alguns alunos lembravam de mim a semana inteira por causa das dores no corpo. Por outro lado, haviam outros que diziam que não viam a hora de chegar o próximo encontro só para ter as aulas.

5 –Hoje, após todos esses anos na Cia Teatral  Olhos de Dentro, que avaliação e boas lembranças que você faz de toda essa caminhada?

Minha avaliação é de que nada acontece por acaso. Que eu tinha que fazer parte da Cia Olhos de Dentro. Tive o prazer de conhecer várias pessoas, de diferentes personalidades, de caráter diversos, que me fizeram bem em todos os sentidos. Me fez crescer como pessoa, reavaliar meu jeito de ser e de ver a vida, de olhar, de tratar o outro respeitando ainda mais a sua personalidade, dificuldades e limitações. Respeitando sim, mas sempre dizendo: “Não se limite mais do que a tua limitação te limita”.

Ótimas lembranças. Desde o sorriso acolhedor que ganhei na minha chegada; a cada princípio de jornada; todos os processos de criação para chegar ao ápice, que é a apresentação do espetáculo de conclusão do curso.

Reestreia de TEMPO DE DESPERTAR é destaque no Blog Deficiente Ciente

A reestreia da nossa peça TEMPO DE DESPERTAR é capa de Deficiente Ciente, o maior blog brasileiro em assuntos sobre inclusão e todas as questões envolvendo as pessoas com deficiência.

O início da matéria destaca que, devido ao grande sucesso de público e crítica em novembro passado, o espetáculo “Tempo de Despertar” estará de volta em quatro apresentações. A peça entra em cartaz aos domingos de 18 de março à 15 de abril, às 11h da  manhã na Sala Mirian Muniz no Teatro Ruth Escobar em São Paulo. Em sua primeira temporada a peça contou com a plateia cheia em todas as apresentações, sendo bem comentada pelo público e pela crítica.

O post se aprofunda, contando a história da CIA TEATRAL OLHOS DE DENTRO. Confira clicando aqui

TEMPO DE DESPERTAR… HOJE E SEMPRE!!! – Por Emílio Figueira

Nada mais paulistano do que ir domingo de manhã ao tradicional bairro do Bixiga assistir a uma peça de teatro. Ainda mais se for encenada no Teatro Ruth Escobar pelo o meu eterno grupo Cia Teatral Olhos de Dentro – Um Exercício de Inclusão.  Eu fui e quero contar o que vi e vivi!!!

Um dos grandes baratos de uma peça teatral é mexer com nossas emoções estéticas. Só que a peça TEMPO DE DESPERTAR, ali na Sala Miriam Muniz encenadas por eles, consegue transcender em sua linguagem cênica ao trazer em sucessivas cenas formas intuitivas e delicadas, temas tão pertinentes e tão fundamentais aos dias atuais.

E tudo ali é um casamento perfeito. A atuação de cada ator e atriz que, dentro de seu limite individual, dão o melhor de si e, mais do que representar, fazem poesia no palco. Alguns daqueles atores já estão na companhia há mais tempo, outro menos e alguns na primeira temporada. Mas, sem citar nomes, alegrou-me em notar como muitos desses meus amigos vêm crescendo em suas interpretações e dominando tecnicamente a cena e o palco.

Por outro nesse casamento perfeito, está a sensibilidade da direção e adaptação de texto de Nina Mancin que, ao beber em temas de inteligência emocional, transforma aquelas esquetes em uma nova linguagem dramatúrgica que merece ser copiada e explorada pelo teatro brasileiro atual. (E eu nem preciso dizer que vou me apropriar desse modelo de dramaturgia que me foi ontem apresentado pela Nina! Rsrsrs)

Sem sombra de dúvidas, os atores de TEMPO DE DESPERTAR, com autoridades de pessoas que se superam nas mais diversas situações, têm autoridade como ninguém para interpretar esse texto.

QUAL O GRANDE LEGADO QUE A CIA DEIXARÁ PARA HISTÓRIA?

A primeira Cia realmente inclusiva no sentido mais puro da palavra!

Vivemos um momento no qual a sociedade promove a inclusão de pessoas com necessidades especiais nas escolas, mercado de trabalho e nos mais variáveis segmentos sociais. Uma sociedade cada vez mais consciente que chamou para si a responsabilidade de criar caminhos para que pessoas com qualquer tipo de deficiência possa atingir graus de desenvolvimento imagináveis. Mas será que essas pessoas também podem ser atores de teatro?

Claro que sim! Há 15 anos coordenada pela atriz, diretora e psicopedagoga Nina Macin e tendo o ator e preparador corporal Geraldo Pereira como um de seus principais colaboradores, a Cia Teatral Olhos de Dentro promove a formação e inclusão teatral pessoas com deficiência física, visual, síndrome de down, paralisia cerebral e autistas, juntamente com pessoas sem deficiência, pessoas idosas, crianças. E, por colocar todos juntos atuando no mesmo palco, posso afirmar com segurança que essa é a primeira Cia realmente inclusiva no sentido mais puro da palavra!

Ali estão pessoas que não encontram espaço, aceitação e compreensão nos cursos tradicionais de teatro.  E com mais de 350 pessoas que já passaram pela Cia, há muitos relatos de casos que melhoraram sua autoestima e, consequentemente, a sua convivência e comunicação na escola e na vida como um todo pelos benefícios do fazer artístico.

E volto a dizer para que não fiquem dúvidas. O ponto central que caracteriza este Projeto como uma Inclusão Social, é mesclar junto a elas pessoas sem nenhuma dessas deficiências, parceiros de aulas e de palco. Através do Curso Livre de Teatro, são atendidas crianças, adolescentes e adultos com objetivo de integrá-los na área de artes cênicas, promovendo e estimulando a convivência no meio teatral e na vida.

TEMPO DE DESPERTAR, PARTE DOIS!

Voltando à peça TEMPO DE DESPERTAR, eu que já vivi uma temporada dentro desse grupo, vou tomar a liberdade de dizer. Até onde eu conheço a sua história, esse é o melhor texto que a Cia Teatral Olhos de Dentro já montou em termos de qualidade sem contar com nem um apoio financeiro, mas com uma profundidade de conteúdo.

Domingo foi a última apresentação e, com um toque especial, tendo na plateia muito dos ex-alunos da Cia, assim com este cronista que vos fala! Mas você reparou que escrevi esta crônica no verbo presente? É que quero crer que essas quatro apresentações foram apenas um piloto. TEMPO DE DESPERTAM não foi uma peça magistral. TEMPO DE DESPERTAR é uma peça magistral!!!

Desejo mesmo do fundo do meu coração que no próximo ano esse texto seja retomado com uma temporada ainda maior. Pois esse trabalho cênico, essa dramaturgia ousada e essa direção precisa ser visto e aplaudido por muitos. E afinal, o que não falta hoje em dia, são pessoas para serem alcançadas pela poética da Cia Olhos de Dentro e saírem do teatro tocados e modificados…. Hoje e Sempre!!!

Texto publicado no blog Emilio Figueira em novembro de 2017

ESPETÁCULO 2017 – TEMPO DE DESPERTAR – CIA TEATRAL OLHOS DE DENTRO 15 ANOS DE INCLUSÃO

ESPETÁCULO 2017